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Dor de ouvido em criança: o que fazer?

Dor de ouvido em criança: o que fazer?

Dor de ouvido em criança pode ter diferentes causas. Saiba como agir, o que evitar e quais sinais indicam necessidade de avaliação pediátrica.

Dor de ouvido em criança: o que fazer?

A dor de ouvido em criança pode começar durante o período escolar, depois de um resfriado, após o contato com a água ou sem outros sintomas evidentes. Como a causa nem sempre é uma infecção, o ouvido precisa ser examinado antes da indicação de antibióticos ou gotas.

Crianças pequenas podem ter dificuldade para explicar onde dói. Em vez de relatar o desconforto, elas podem ficar irritadas, chorar, recusar alimentos, dormir mal ou tocar repetidamente a região da orelha.

Quando a escola comunica o episódio, a família deve perguntar quando a dor começou, se houve febre, trauma, secreção ou alteração do comportamento. Essas informações ajudam a definir a necessidade e a rapidez da avaliação.

Quais são as causas de dor de ouvido em criança?

A dor pode se originar no próprio ouvido ou ser percebida nessa região devido a problemas próximos, como inflamações na garganta ou nos dentes.

Entre as causas possíveis estão:

  • Otite média;

  • Otite externa;

  • Resfriados e congestão nasal;

  • Acúmulo de cera;

  • Entrada de corpo estranho;

  • Trauma;

  • Mudanças de pressão;

  • Irritação após piscina ou banho;

  • Inflamação da garganta;

  • Problemas dentários;

  • Lesões na pele ao redor do ouvido.

A otite média acontece atrás do tímpano e é frequente depois de infecções respiratórias. Já a otite externa afeta o canal auditivo e pode estar associada ao contato frequente com água ou à manipulação do ouvido.

A única maneira de confirmar determinadas infecções é examinar o tímpano e o canal auditivo com um aparelho apropriado.

O que fazer diante de dor de ouvido em criança?

Ao buscar a criança na escola, observe o estado geral e procure informações sobre outros sintomas.

Até receber orientação, é possível:

  • Manter a criança em repouso;

  • Oferecer líquidos;

  • Verificar a temperatura;

  • Observar se há secreção;

  • Evitar mexer no ouvido;

  • Manter a região seca;

  • Utilizar medicamento para dor apenas na dose já orientada para a criança;

  • Procurar avaliação pediátrica conforme a intensidade e a evolução.

A dose de analgésicos e antitérmicos depende do peso atual. Portanto, não é recomendado utilizar a dose prescrita para um irmão ou uma orientação antiga sem conferir se ainda é adequada.

Compressas mornas externas podem proporcionar conforto para algumas crianças, desde que não estejam quentes e não substituam a avaliação.

O que não deve ser colocado no ouvido?

Nenhuma substância deve ser pingada sem indicação, principalmente quando não se sabe se o tímpano está íntegro.

Evite:

  • Álcool;

  • Óleo;

  • Azeite;

  • Leite materno;

  • Água oxigenada;

  • Chás;

  • Gotas antigas;

  • Colírios;

  • Antibióticos de outra pessoa;

  • Produtos para dissolver cera sem orientação.

Algumas gotas podem causar irritação ou ser inadequadas quando há perfuração do tímpano.

Também não introduza hastes flexíveis, pinças, grampos ou outros objetos. Além de empurrar a cera para dentro, essa prática pode machucar o canal, perfurar o tímpano ou prender ainda mais um corpo estranho.

Dor de ouvido sempre é otite?

Não. Apesar de a otite ser uma causa frequente, outros problemas podem produzir sintomas semelhantes.

A presença de dor após nadar, sensibilidade ao tocar a parte externa da orelha e coceira pode levantar a possibilidade de otite externa. Dor acompanhada de coriza e febre após um quadro respiratório pode estar relacionada ao ouvido médio.

No entanto, esses sinais não confirmam o diagnóstico. O exame ajuda a verificar se:

  • O canal auditivo está inflamado;

  • Existe excesso de cera;

  • Há um corpo estranho;

  • O tímpano está abaulado ou perfurado;

  • Existe secreção;

  • A dor pode ter outra origem.

O artigo sobre febre, tosse e nariz entupido em crianças ajuda a compreender como infecções respiratórias podem evoluir e quais sinais merecem atenção.

Toda otite precisa de antibiótico?

Não. Algumas dores de ouvido são causadas por vírus, irritações ou condições que não respondem a antibióticos. Mesmo em certos casos de otite média, a conduta pode variar conforme a idade, a intensidade dos sintomas e os achados do exame.

Quando o antibiótico é indicado, deve ser utilizado na dose e pelo período prescritos. Interromper antes do tempo ou reutilizar sobras pode favorecer falha do tratamento e efeitos adversos.

Também não se deve iniciar um antibiótico apenas porque a criança apresentou uma otite anteriormente. Dois episódios de dor podem ter causas diferentes.

A definição do tratamento depende de:

  • Idade;

  • Duração do quadro;

  • Intensidade da dor;

  • Presença de febre;

  • Estado dos dois ouvidos;

  • Condições de saúde;

  • Histórico de recorrência;

  • Resultado do exame físico.

Puxar a orelha significa que o bebê está com otite?

Não necessariamente. Bebês podem tocar ou puxar as orelhas por curiosidade, cansaço, desconforto da dentição ou hábito.

O comportamento merece mais atenção quando vem acompanhado de:

  • Febre;

  • Choro persistente;

  • Sono muito alterado;

  • Recusa alimentar;

  • Secreção;

  • Sintomas respiratórios;

  • Aparente dor ao tocar a região;

  • Mudança importante no comportamento.

Crianças pequenas não conseguem localizar a dor com precisão. Por isso, a avaliação deve considerar o conjunto de sintomas.

Quando a criança pode permanecer na escola?

A dor de ouvido, isoladamente, não é contagiosa. No entanto, a infecção respiratória que antecedeu o problema pode ser transmissível.

A criança deve permanecer em casa quando:

  • Está com febre;

  • Apresenta dor que impede as atividades;

  • Está muito irritada ou abatida;

  • Precisa de cuidados frequentes;

  • Apresenta vômitos;

  • Tem dificuldade para dormir ou se alimentar;

  • Recebeu orientação de afastamento.

Depois de melhorar, ela pode retornar conforme o estado geral e as normas da escola.

O conteúdo sobre por que as crianças adoecem mais ao retornar à escola pode ser aproveitado durante as consultas para discutir prevenção, embora cada episódio precise ser avaliado individualmente.

Quando procurar a pediatra?

A criança deve ser examinada quando há dor persistente, febre, secreção ou dificuldade para realizar as atividades habituais.

A avaliação é especialmente importante diante de:

  • Dor intensa;

  • Criança com menos de 6 meses;

  • Febre;

  • Secreção amarelada, esverdeada, com sangue ou mau cheiro;

  • Sintomas que pioram;

  • Diminuição aparente da audição;

  • Episódios repetidos;

  • Corpo estranho;

  • Dor após trauma;

  • Tontura;

  • Vômitos persistentes;

  • Alteração do equilíbrio.

Secreção pelo ouvido pode estar relacionada a inflamação do canal ou perfuração do tímpano e merece avaliação.

A criança também deve ser examinada quando a dor desaparece subitamente e começa a sair líquido, pois isso não significa necessariamente resolução do problema.

Quais sinais indicam atendimento imediato?

Alguns quadros precisam de avaliação urgente:

  • Inchaço ou vermelhidão atrás da orelha;

  • Orelha deslocada para a frente;

  • Rigidez no pescoço;

  • Dificuldade para despertar;

  • Convulsão;

  • Fraqueza no rosto;

  • Trauma importante;

  • Sangramento intenso;

  • Objeto pontiagudo introduzido no ouvido;

  • Piora rápida do estado geral;

  • Dificuldade respiratória associada.

O conteúdo sobre quando procurar o pronto-socorro infantil pode ajudar a família a reconhecer situações que não devem aguardar.

Como prevenir novos episódios?

Nem todas as otites podem ser evitadas, mas alguns cuidados ajudam a reduzir fatores associados:

  • Manter a vacinação atualizada;

  • Evitar exposição à fumaça;

  • Higienizar as mãos;

  • Tratar adequadamente problemas respiratórios;

  • Não utilizar hastes dentro do ouvido;

  • Secar apenas a parte externa após o banho;

  • Evitar introduzir objetos;

  • Amamentar, quando possível;

  • Acompanhar crianças com episódios repetidos.

A amamentação nos primeiros meses está associada a diferentes benefícios para a saúde infantil, embora não elimine completamente a possibilidade de infecções de ouvido.

A vacinação também ajuda a proteger contra agentes que podem estar relacionados a infecções. Por isso, vale revisar o calendário de vacinas da criança.

Otites repetidas podem afetar a audição e a fala?

Episódios recorrentes ou a permanência de líquido atrás do tímpano podem provocar redução auditiva temporária em algumas crianças.

Como a audição participa do desenvolvimento da linguagem, alterações persistentes merecem acompanhamento, principalmente quando existem:

  • Atraso na fala;

  • Dificuldade para compreender;

  • Aumento do volume da televisão;

  • Falta de resposta ao nome;

  • Problemas de aprendizagem;

  • Histórico de várias otites.

Nesses casos, a pediatra pode orientar avaliação auditiva ou encaminhamento para outro profissional.

O acompanhamento do desenvolvimento infantil permite relacionar audição, fala, comportamento e histórico de saúde.

Perguntas frequentes

1. Dor de ouvido pode melhorar sozinha?

Pode, dependendo da causa. No entanto, apenas o exame permite verificar se há infecção, corpo estranho ou outra alteração que exija tratamento.

2. Posso usar gotas que sobraram de outro tratamento?

Não. A causa pode ser diferente, e algumas gotas são inadequadas quando existe perfuração do tímpano. Medicamentos devem ser utilizados somente com orientação.

3. Cera causa dor de ouvido?

O excesso ou a compactação da cera pode causar desconforto e redução auditiva. Ainda assim, a remoção precisa ser feita de forma segura, sem introdução de objetos.

4. Dor de ouvido é contagiosa?

A dor não é contagiosa. Porém, vírus respiratórios que podem anteceder uma otite são transmitidos entre pessoas.

5. A criança com otite pode ir à escola?

Pode retornar quando estiver sem febre, com a dor controlada e em condições de acompanhar as atividades. A decisão deve considerar também os sintomas respiratórios associados.

Não tente tratar o ouvido sem conhecer a causa

Dor de ouvido pode ter várias explicações, e o tratamento adequado depende do exame. Colocar substâncias, utilizar antibióticos por conta própria ou tentar retirar objetos pode piorar o quadro.

Quando a escola comunica a dor ou a criança apresenta sintomas durante a noite, a equipe da Dra. Mariana pode orientar a família e avaliar a necessidade de consulta. Examinar o ouvido permite entender a origem do desconforto e definir um cuidado seguro para aquele episódio.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual em consulta médica.

Conteúdo revisado por Dra. Mariana Campos

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Dra. Mariana Campos é pediatra no município de São Paulo, focada em oferecer acompanhamento individualizado e completo a crianças, desde o pré-natal até a adolescência. Seus principais interesses são o bem-estar infantil, a promoção de confiança entre famílias e a comunicação transparente com pais e pacientes. Atua exclusivamente no atendimento particular, buscando sempre proporcionar segurança, acolhimento e tranquilidade durante todas as consultas médicas.

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