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Atraso de fala: quando procurar fono e avaliar a criança?

Atraso de fala: quando procurar fono e avaliar a criança?

Atraso de fala: quando procurar fono? Conheça marcos da linguagem, sinais que merecem atenção e como funciona a avaliação pediátrica.

Atraso de fala: quando procurar fono e avaliar a criança?

Diante de um possível atraso de fala, quando procurar fono é uma das principais dúvidas das famílias. Algumas crianças começam a falar mais cedo, enquanto outras precisam de mais tempo para ampliar o vocabulário e formar frases. No entanto, diferenças individuais não significam que todo atraso deva apenas ser aguardado.

A fala faz parte de um conjunto maior chamado linguagem, que envolve compreender o que é dito, comunicar necessidades, usar gestos, manter interação e participar de trocas sociais. Por isso, a avaliação não deve considerar somente quantas palavras a criança pronuncia.

Quando há dúvidas, o primeiro passo pode ser conversar com a pediatra. A consulta ajuda a avaliar o desenvolvimento global, identificar possíveis sinais associados e decidir se existe indicação de acompanhamento com fonoaudiólogo ou outros profissionais.

Atraso de fala: quando procurar fono?

A avaliação fonoaudiológica pode ser indicada quando a criança apresenta dificuldade persistente para desenvolver habilidades de comunicação esperadas para sua fase, principalmente quando o atraso vem acompanhado de outras alterações.

Não é necessário esperar a criança chegar a determinada idade para somente então mencionar a preocupação. Os responsáveis convivem diariamente com ela e podem perceber mudanças, dificuldades ou diferenças na forma de se comunicar.

Merecem avaliação situações como:

  • Pouco ou nenhum balbucio no primeiro ano;

  • Ausência de gestos comunicativos, como apontar, mandar beijo ou dar tchau;

  • Poucas tentativas de imitar sons e palavras;

  • Dificuldade para compreender comandos simples;

  • Ausência de palavras na idade em que elas já seriam esperadas;

  • Vocabulário que não evolui ao longo dos meses;

  • Dificuldade para combinar palavras;

  • Fala pouco compreensível para a idade;

  • Frustração frequente por não conseguir se comunicar;

  • Perda de palavras ou habilidades que já haviam sido adquiridas.

A regressão, isto é, a perda de uma habilidade já conquistada, merece avaliação sem demora.

A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que a investigação de atrasos de linguagem deve considerar audição, interação social, cognição, motricidade, compreensão e linguagem expressiva.

Quais são os marcos esperados da fala?

Os marcos do desenvolvimento são referências, não uma tabela rígida. Eles ajudam a observar se a criança está adquirindo habilidades progressivamente.

Ao longo do primeiro ano, espera-se que o bebê produza sons, responda a vozes, participe de trocas comunicativas e comece a usar gestos. Depois, as primeiras palavras costumam surgir e o vocabulário se expande gradualmente.

Como referência geral:

  • Por volta de 1 ano: a criança pode balbuciar com intenção, responder ao nome, usar gestos e tentar falar algumas palavras;

  • Por volta de 15 meses: pode tentar dizer palavras além de “mamãe” e “papai”;

  • Por volta de 18 meses: espera-se que tente falar algumas palavras e compreenda comandos simples;

  • Por volta de 2 anos: tende a ampliar o vocabulário e começar a combinar pelo menos duas palavras;

  • Entre 2 e 3 anos: as combinações ficam mais frequentes e a comunicação se torna progressivamente mais compreensível.

Como referência do desenvolvimento, aos 18 meses muitas crianças já tentam dizer algumas palavras além de “mamãe” ou “papai” e conseguem seguir comandos simples sem depender de gestos. Esses marcos ajudam a acompanhar a evolução, mas não devem ser interpretados isoladamente nem utilizados para estabelecer um diagnóstico.

Mais importante do que contar palavras isoladamente é observar se existe evolução. Uma criança que acrescenta novas formas de comunicação ao longo do tempo apresenta uma trajetória diferente daquela cujo repertório permanece parado ou regride.

Falar mais tarde sempre representa um problema?

Não. Algumas crianças apresentam variações individuais e podem desenvolver a fala em um ritmo diferente. No entanto, a ideia de que “cada criança tem seu tempo” não deve ser usada para ignorar sinais persistentes.

A espera sem acompanhamento pode atrasar a identificação de condições que se beneficiariam de intervenção. Por outro lado, procurar avaliação não significa confirmar um transtorno.

O desenvolvimento infantil depende de diversos fatores, como:

  • Oportunidades de interação;

  • Audição;

  • Desenvolvimento neurológico;

  • Coordenação dos órgãos envolvidos na fala;

  • Ambiente linguístico;

  • Qualidade das trocas com os adultos;

  • Saúde geral;

  • Prematuridade;

  • Condições genéticas;

  • Aspectos emocionais e sociais.

O conteúdo sobre o que os pais precisam observar nos dois primeiros anos ajuda a compreender como a comunicação se relaciona com outras áreas do desenvolvimento.

O atraso de fala pode estar relacionado à audição?

Sim. Para aprender a falar, a criança precisa ouvir os sons da fala de maneira adequada. Alterações auditivas leves, flutuantes ou presentes apenas em determinadas frequências podem interferir no desenvolvimento da linguagem.

Mesmo uma criança que realizou o teste da orelhinha pode apresentar alterações auditivas posteriormente. Infecções de ouvido recorrentes, por exemplo, podem afetar temporariamente a percepção dos sons.

Alguns sinais que podem levantar dúvidas sobre a audição incluem:

  • Não responder ao nome com frequência;

  • Aumentar muito o volume de aparelhos;

  • Aproximar-se da fonte sonora;

  • Parecer ouvir alguns sons e outros não;

  • Observar o rosto do adulto para compreender;

  • Falar muito alto;

  • Apresentar histórico de otites repetidas;

  • Demonstrar atraso de fala sem outra explicação evidente.

A Sociedade Brasileira de Pediatria ressalta a importância da audição para o desenvolvimento da comunicação, da leitura e da aprendizagem.

Quando necessário, a pediatra pode orientar avaliação auditiva, mesmo que a família considere que a criança “ouve tudo”.

Atraso de fala significa autismo?

Não. O atraso de fala pode ocorrer por diversas causas e, isoladamente, não confirma transtorno do espectro autista.

Na avaliação, a pediatra observa a comunicação junto a outros aspectos, como:

  • Contato visual;

  • Resposta ao nome;

  • Uso de gestos;

  • Interesse em compartilhar descobertas;

  • Brincadeira simbólica;

  • Interação com adultos e crianças;

  • Comportamentos repetitivos;

  • Flexibilidade diante de mudanças;

  • Sensibilidade a sons, texturas ou movimentos;

  • Presença de regressão.

Algumas crianças autistas falam no período esperado, enquanto outras apresentam atraso. Da mesma forma, muitas crianças com atraso de fala não estão no espectro.

Por isso, não é adequado estabelecer conclusões com base em um único comportamento ou em comparações feitas nas redes sociais. O diagnóstico depende de avaliação profissional cuidadosa.

Excesso de telas pode atrasar a fala?

O uso excessivo de telas pode reduzir o tempo disponível para conversas, brincadeiras, leitura e interação presencial. Esses momentos são fundamentais para o desenvolvimento da linguagem.

A criança pequena aprende a se comunicar em trocas reais: observa expressões, espera respostas, imita sons, aponta objetos e percebe como suas tentativas afetam o outro.

Vídeos educativos não substituem essa interação. Mesmo quando apresentam letras, cores ou palavras, a aprendizagem da comunicação depende de participação ativa e vínculo.

A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que o contato humano, o olhar, as expressões faciais e as conversas não podem ser substituídos por telas no desenvolvimento da linguagem e das habilidades sociais.

Na prática, a família pode:

  • Narrar atividades do cotidiano;

  • Ler livros adequados à idade;

  • Cantar músicas;

  • Fazer pausas para a criança responder;

  • Nomear objetos e ações;

  • Brincar no chão;

  • Evitar antecipar todas as necessidades;

  • Limitar distrações durante as interações;

  • Valorizar tentativas de comunicação sem pressionar.

Como é feita a avaliação do atraso de fala?

A investigação costuma começar com uma conversa detalhada sobre a gestação, o nascimento, a saúde, a alimentação, o sono e os marcos do desenvolvimento.

A pediatra também pode observar:

  • Como a criança interage;

  • Se compreende comandos;

  • Como solicita objetos;

  • Se aponta para mostrar interesse;

  • Quais sons e palavras utiliza;

  • Como brinca;

  • Como reage ao nome;

  • Se houve regressão;

  • Como está a audição;

  • Se existem alterações motoras ou comportamentais.

Depois dessa análise, pode haver encaminhamento para fonoaudiologia, avaliação auditiva ou outros profissionais, de acordo com os achados.

O acompanhamento do desenvolvimento infantil permite observar a evolução ao longo do tempo, em vez de avaliar apenas um momento isolado.

O que o fonoaudiólogo avalia?

O fonoaudiólogo pode analisar diferentes áreas da comunicação, entre elas:

  • Compreensão da linguagem;

  • Vocabulário;

  • Formação de frases;

  • Intenção comunicativa;

  • Uso de gestos;

  • Produção dos sons da fala;

  • Clareza da fala;

  • Movimentos de língua, lábios e mandíbula;

  • Funções como mastigação e deglutição;

  • Forma como a criança interage durante as brincadeiras.

O acompanhamento é individualizado. Algumas crianças precisam de orientação e monitoramento, enquanto outras podem se beneficiar de terapia regular.

A participação da família é essencial, pois a comunicação se desenvolve principalmente nas experiências do cotidiano.

Por que não é bom apenas esperar?

Em alguns casos, a criança pode avançar espontaneamente. Contudo, não é possível saber antecipadamente quem irá recuperar o ritmo sem ajuda.

A avaliação precoce permite:

  • Identificar alterações auditivas;

  • Orientar estímulos adequados;

  • Reduzir a frustração da criança;

  • Acompanhar a compreensão da linguagem;

  • Investigar o desenvolvimento global;

  • Encaminhar para intervenção quando necessário;

  • Oferecer mais segurança à família.

O acompanhamento e a triagem do desenvolvimento ajudam a identificar possíveis atrasos e permitem que a criança e sua família recebam orientação e suporte mais cedo, quando necessário.

Durante as consultas de rotina na primeira infância, as dúvidas sobre fala devem ser mencionadas, mesmo quando pareçam pequenas.

Perguntas frequentes

1. Com quantos anos a criança deve começar a falar?

As primeiras palavras costumam aparecer perto do final do primeiro ano, mas há variações. O mais importante é observar a comunicação como um todo e se novas habilidades surgem progressivamente.

2. Criança de 2 anos que fala poucas palavras precisa de avaliação?

Pode precisar. Nessa idade, espera-se ampliação do vocabulário e início da combinação de palavras. A compreensão, os gestos, a interação e a evolução recente também devem ser avaliados.

3. É melhor procurar primeiro a pediatra ou o fonoaudiólogo?

A pediatra pode realizar uma avaliação global e verificar fatores como audição, desenvolvimento e saúde. Dependendo dos achados, pode orientar o acompanhamento conjunto com um fonoaudiólogo.

4. Falar duas línguas provoca atraso de fala?

O contato com dois idiomas não costuma causar um transtorno de linguagem. A criança pode distribuir as palavras entre as línguas, e o vocabulário total precisa ser considerado.

5. A criança pode fazer fono mesmo sendo muito pequena?

Sim. Não existe necessidade de esperar a criança crescer quando há indicação. A avaliação e a intervenção podem ser adaptadas à idade, com brincadeiras e participação ativa da família.

Dúvidas sobre a fala merecem ser ouvidas

Quando uma família percebe que a comunicação da criança não está evoluindo como esperado, procurar avaliação não representa exagero. Também não significa que haverá necessariamente um diagnóstico.

O objetivo é compreender o desenvolvimento, verificar a audição, observar a interação e definir se a criança precisa de acompanhamento. Para realizar essa análise com calma, a família pode marcar uma consulta com a Dra. Mariana. A partir da avaliação pediátrica, será possível organizar os encaminhamentos necessários e oferecer estímulos mais adequados para cada fase.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual em consulta médica.

Conteúdo revisado por Dra. Mariana Campos

Pediatra | Atendimento Particular | CRM 138.895 / RQE 76318

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Dra. Mariana Campos é pediatra no município de São Paulo, focada em oferecer acompanhamento individualizado e completo a crianças, desde o pré-natal até a adolescência. Seus principais interesses são o bem-estar infantil, a promoção de confiança entre famílias e a comunicação transparente com pais e pacientes. Atua exclusivamente no atendimento particular, buscando sempre proporcionar segurança, acolhimento e tranquilidade durante todas as consultas médicas.

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